A cultura chopper surgiu no Brasil há pouco tempo, com uma defasagem de uns 40 anos eu diria, sabemos de sua origem estatunidense, conforme tenho comentado no Vila Santa, mas afinal o que é bacana é para ser propagado, e nada mais legal do que inventar a sua própria moto!
Aqui vale uma breve observação: A motocicleta é um veículo individual que adapta-se ao corpo humano como uma extensão dele, ou seja, tanto melhor será o seu domínio desta máquina quanto melhor adaptada à sua biomecânica ela estiver. E aí esbarramos em um problema, as motocicletas são dimensionadas tendo como base o tamanho médio do ser humano, daí a explicação de por quê as motos norte americanas são maiores que as japonesas, é uma questão de ergonomia, os japoneses são menores. Desta forma, uma personalização radical tem a oportunidade de redimensionar a máquina ao usuário, é comum uma chopper que seja adaptada apenas ao seu usuário, ficando inadequada a outras pessoas de medidas muito diferentes. Este, na minha opinião, é o grande barato da customização, buscar antes de tudo a melhor geometria para o seu conforto dentro daquele estilo de pilotagem que você quer.
Estes anos de defasagem têm explicação em nossa própria cultura biker (prefiro este termo, cultura motociclística fica medonho), aqui em terras tupiniquins a abundância de matéria prima para a construção de choppers é escassa, esta matéria prima é o que chamo de "moto velha e barata". Claro, nada melhor do que pegar a sua Harley-Davidson zerada e meter a serra em um dos bons ateliers de personalização do mercado, o que pode facilmente dobrar o custo do modelo original, mas convenhamos, é uma realidade bastante distante da maioria do povo brasileiro, e a idéia não é esta, uma moto personalizada não significa objeto de boutique, não deve ser um luxo, mas sim uma adaptação artesanal do objeto ao usuário. Também não há muitos proprietários dispostos a cortar uma moto zero, seja ela qual for, sob o risco de ter seu bem desvalorizado em uma futura troca. Pois bem, como no Brasil até Harleys antigas são caras devido à importação em pequena escala, o que nos resta são alternativas viáveis, modelos de fabricação nacional já desvalorizados devido aos anos de produção ou modelos fora de linha, e hoje uma das melhores bases para uma chopper é a Honda CB400, o modelo nacional que mais se aproxima do ideal chopper de máquina simples, com manutenção barata e peças disponíveis.
Mesmo não tendo a melhor motorização para uma boa " tocada custom", que se traduz em muito torque a baixa rotação, ela também não decepciona, e bem trabalhada resulta em uma motocicleta surpreendente. A CB precisa de uma reconstrução de quadro a fim de alongar a moto, a balança trazeira é muito curta, uma vez alongada o selin pode ser rebaixado e os comandos avançados, para isso alguns preferem transformar o quadro em berço duplo, esta receita simples transforma radicalmente a posição de pilotagem ao melhor estilo custom, como fazer isto é a arte do negócio.

O assunto é vasto e apaixonante, vamos voltar a ele muitas vezes aqui no VilaSanta, mas por falar em arte, gostaria de render uma homenagem ao pessoal da
NOSTALGIA CHOPPERS, dentre muitos trabalhos que tenho visto arrisco dizer que os caras alcançaram o "estado da arte" nesta brincadeira, as fotos que ilustram este post são trabalhos da Nostalgia Choppers e acreditem, tratam-se de CBzonas renascidas, os caras são de Novo Hamburgo-RS.